Em tempos de politicamente correto, é preciso, urgentemente, discutir e ampliar o conceito de Acessibilidade.

A Norma é fracionada: determina como deve ser a rampa, o piso tátil, o sanitário. Mas, para o usuário, itens em separado nada significam. Não adianta ter um banheiro acessível, se não há uma vaga de estacionamento corretamente reservada; pois para que o sanitário seja usado, é preciso que o público-alvo chegue até ele. Acessibilidade, para funcionar, tem que ser um conjunto de facilidades. A falta de um único item, compromete qualquer esforço em separado.

Foto Rosana Martinez-22-07-2010
Vaga para deficiente ou vaga deficiente? A legislação responde: NBR 9050, 6.12.1

A Acessibilidade é um conceito muito mais abrangente do que se propaga. Vai além do estrutural. Acessibilidade começa no domínio da boa educação, da moral e do caráter. Faz parte das relações humanas. É preciso desenvolver empatia, simpatia e bom senso no sentido de voltar o olhar para o coletivo, para o outro.

Acessibilidade é atitude. É não jogar lixo na rua. É não parar na vaga do deficiente ou do idoso, nem que seja “rapidinho”. É nunca utilizar o caixa preferencial, a menos que faça parte do grupo a que se destina. É não furar fila.

Foto J.Ladimir Stefanes-13-11-2009
Seriam os mototistas deficientes visuais ou analfabetos?

Acessibilidade não é só para aqueles a quem costumamos associar o termo – deficientes, idosos, acidentados, grávidas, etc. Acessibilidade é para nós também. Placas de sinalização e localização também são acessibilidade. Ponto de ônibus com informação das linhas é acessibilidade.  Placa com nome de rua também. Quem de nós nunca precisou de informações como essas? São serviços, aliás, pelos quais todos nós pagamos com nossos altos impostos.

Foto Rosana Martinez-21-07-2010
Conhece essa avenida? O canteiro central é para pedestres ou para raízes de árvores? A legislação responde: NBR 9050, 9.10

Precisamos urgentemente desenvolver uma consciência coletiva em acessibilidade; não para grupos específicos, mas para todos.

Os bons exemplos existem – e devem ser louvados, pois certamente não são produto apenas das leis, mas do entendimento de alguém que se dispôs a fazer o certo. E o certo sai sempre mais barato: evita desperdício de dinheiro com reformas futuras,  diminui demandas judiciais – pagas com dinheiro público, agrada a todo mundo e, de quebra, ainda cumpre a lei.

Foto Rosana Martinez-22-07-2010
Ah…agora, sim. Só faltou o braile.

Fazer Acessibilidade também requer informação pois, segundo o velho ditado, de boas intenções o inferno está cheio. É preciso sensibilidade, mas também profissionalismo.

Foto Julio C. Diniz-19-07-2010
Já passou por aqui? O que veio primeiro? A rampa ou a caixa de serviço? A legislação responde: NBR 9050, 6.10.11.9

Fazer Acessibilidade é promover independência e dignidade. Às vezes, é recomendável um exercício de imaginação. Ao fazer escolhas, devemos antes responder a perguntas básicas, como “este é um local ou serviço que pode ser facilmente utilizado por todos, sem a interferência de qualquer suporte ou de terceiros ?”

Foto Julio C.Diniz-19-07-2010
Já pegou ônibus aqui? Imagine o vovô idoso, a mamãe grávida, o acidentado e o deficiente. Será que eles conseguem? A legislação responde: NBR 9050, 6.1.1

Fazer Acessibilidade é internalizar bons hábitos, como não obstruir entradas, nem deixar obstáculos pelos caminhos.

Foto Rosana Martinez-18-06-2010
O sanitário é pra deficiente, mas e o fraldário na frente da porta de entrada? A legislação responde: NBR 9050, 7.2

Fazer Acessibilidade é garantir o direito de ir e vir, contemplado no artigo 5° da Constituição.

Foto Rosana Martinez-21-07-2010
É uma rampa? É um triângulo? É um jogo de obstáculos? A legislação responde: NBR 9050, 6.10.11.13

Fazer Acessibilidade é se comprometer individualmente com um “bem” que é de todos, independente das leis ou da responsabilidade do poder público.

O Fórum Permanente de Acessibilidade e Mobilidade Urbana de Campo Grande é resultado de um grupo de cidadãos que se importaram, analisaram, estudaram e se uniram para passar do discurso à ação. Como? Provocando reflexões, despertando olhares e aprendendo muito.

Participe você também! Observe, fotografe o que é bom e o que precisa melhorar, comente e mande pra gente!

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